sábado, 26 de setembro de 2009

Advogados apontam 4 falhas em acidente da Air France


PARIS - Na ausência de explicações técnicas oficiais e convincentes por parte do Escritório de Investigações e Análises para a Aviação Civil (BEA) da França, um gabinete de advogados inglês anunciou hoje ter identificado quatro supostas causas do acidente do voo AF447, entre Rio e Paris, em 31 de maio passado. Segundo o escritório Stewarts Law, de Londres, ao clima adverso se somaram duas falhas técnicas no aparelho - na aferição de velocidade (feita pelos tubos de pitot) e no sistema de navegação (Adiru) - e a erros humanos.



A avaliação foi divulgada em entrevista coletiva realizada hoje. Segundo o escritório, a investigação paralela realizada por peritos contratados indicou que a confluência dos quatro fatores teria sido decisiva para a sorte dos 228 passageiros e tripulantes do Airbus A330 que realizava a rota entre o Rio e Paris. "Identificamos quatro fatores na cadeia de erros que resultou neste acidente. Sem esses fatores, o acidente não teria acontecido", disse Charles-Henri Tadivat, um dos advogados do gabinete, segundo informou a agência de notícias France Presse (AFP).



Segundo os peritos ouvidos pelo Stewarts Law, duas falhas mecânicas também teriam acontecido no momento do acidente. A primeira diz respeito à aferição da velocidade pelas sondas pitot, que transmitem dados aos demais sistemas de navegação da aeronave. Este problema, reconhecido pelo BEA, foi o primeiro identificado pelas mensagens automáticas enviadas pelo Airbus A330 antes de sua queda, mas não teria sido responsável, sozinho, pelo desastre. A seguir, o sistema de navegação auxiliada Adiru teria falhado, desorientando totalmente os sistemas eletrônicos do avião. A esses erros, a tripulação teria respondido de forma errônea, tomando decisões que teriam determinado a queda. "O quarto elemento é o treinamento dos pilotos, que não puderam tomar as decisões adequadas", afirmou Tadivat.



Os argumentos dos advogados são respaldados por medidas tomadas após o acidente. Em decorrência do desastre, a Agência Europeia de Segurança da Aviação Civil (EASA) ordenou a substituição dos tubos de pitot da marca Thalès, que equipavam todos os Airbus A330 da frota da Air France - incluindo o avião acidentado. Sem responsabilizar os pilotos, a companhia aérea também anunciou que um programa de reciclagem dos comandantes vem sendo implantado nas últimas semanas. "Nós decidimos reforçar a formação dos nossos pilotos para o caso de perda indicação de velocidade", confirmou hoje, em entrevista ao jornal "Les Echos", o diretor-geral da Air France, Pierre-Henri Gourgeon.



O executivo afirmou ainda que a empresa está aprimorando seus sistemas de informação meteorológica, assim como implantando um método de verificação a cada 10 minutos das mensagens automáticas enviadas pelas aeronaves ao centro de controle da companhia.



O parecer do escritório londrino e as iniciativas tomadas pela Air France vieram a público na véspera da primeira audiência na Justiça de Paris, que investigará as eventuais responsabilidades civis pelo

Árvores no aeroporto foram cortadas.


Foi preciso que a Aeronáutica reduzisse o tamanho da pista do aeroporto de Joinville para que surgisse uma solução. Depois de dois dias com transtornos para os passageiros, o corte das árvores que obstruem os pousos e decolagens na pista deve começar hoje.

Ontem, a segunda licitação para contratar a empresa responsável pelo serviço teve uma vencedora: a Kalb, que venceu o processo com orçamento de R$ 48.312. O teto estipulado pela prefeitura era de R$ 80 mil.

A empresa tem 30 dias para encerrar a derrubada dos 117 mil metros quadrados de área verde, o equivalente a dez campos de futebol. Depois do começo dos trabalhos, o superintendente da Infraero, Sérgio Santiago, vai chamar uma nova inspeção da Agência Nacional de Aviação Civil.

As empresas que não venceram a licitação abriram mão de entrar com recursos para acelerar o processo. Pela lei, elas teriam dois dias para recorrer. As árvores perto da pista, entre 18 e 27 metros, serão podadas porque poderiam ter, no máximo, dois metros.

Pista foi encurtada em 570 metros

Na terça-feira, a Aeronáutica restringiu as operações no aeroporto de Joinville encurtando a distância útil da pista em 570 metros e a suspensão da operação noturna como medida de segurança. Imediatamente, TAM e Gol cancelaram a oferta de duas frequências para a cidade catarinense.

Nem o tempo ajudou o aeroporto de Joinville a manter as suas operações na manhã de ontem. Dos oito voos previstos – entre pousos e decolagens – apenas dois se confirmaram na manhã de ontem. Os primeiros voos da manhã foram todos cancelados. O da TAM, com saída de Congonhas às 6h50min e partida de Joinville às 8h40min não saiu. A Gol também suspendeu o voo das 8h16min, com saída de São Paulo, e partida prevista para as 10h da cidade catarinense.

As más condições climáticas em São Paulo acabaram atrasando a saída do voo da Gol previsto para as 10h23min. Os passageiros acabaram chegando a Joinville apenas às 12h30min. A TAM decidiu enviar os passageiros do voo das 13h30min para Curitiba, de ônibus, mesmo com o tempo firme em Joinville.

Até o anúncio de um novo laudo técnico que permita a operação noturna no aeroporto de Joinville, as duas empresas vão suspender os voos. A Gol até 15 de outubro e a TAM até 21 de março.

Greve da TAP cancela 130 voos


A greve dos pilotos da TAP obrigou ao cancelamento de 130 voos entre a meia-noite ao longo desta sexta-feira, segundo os números divulgados pelo Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), que adiantou que a adesão à greve se situou nos 98 por cento.

"Mais de 98 por cento dos pilotos aderiram a esta acção, cancelando 65 serviços de voo (equivalentes a cerca de 130 voos) e demonstraram de forma pública e notória o seu descontentamento perante a insensibilidade e a intransigência reveladas pela administração da TAP", revelou o sindicato em comunicado.

Ao segundo e último dia de greve, o sindicato tem dúvidas que a "TAP tenha compreendido a totalidade das implicações desta adesão".

No mesmo comunicado, o SPAC afirmou que os pilotos "podem esperar da administração da TAP e reincidência nas usuais manobras dilatórias evidenciadas na falta de objectivadade com que participou nas infrutíferas negociações".