sábado, 17 de abril de 2010

Gol muda Smiles para encarar a Multiplus, da TAM

Embora a subsidiária da TAM esteja com o apetite de disparar na liderança do segmento, o Smiles tem hoje o maior volume de clientes na América Latina. Desde aaquisição da Varig pela Gol, em 2007, o número de participantes do serviço de fidelidade aumentou 15,5%. "Crescemos numa média de 45 mil clientes por mês", diz Barbosa. A rede de parceiros da Gol passou de 100 para 150 empresas, entre as quais estão o restaurante Viena e a varejistaAmericanas.com.

No entanto, a atividade de colecionar milhas ainda não é uma fonte de renda relevante para a companhia. O valor gerado pelo Smiles não é divulgado, porque consta no balanço da empresa como "receitas auxiliares" (tudo o que não é venda de bilhetes). Esse item, que tem como pivô o programa de fidelidade, registrou no ano passado 12% do faturamento total da Gol, cuja
receita líquida foi de 1,6 bilhão de reais. A expectativa é de que, até o fim de 2011, a companhia atinja a meta em receita auxiliares de 20%.

Desbancar a Multiplus, que nasceu há dois meses com 3 bilhões de reais – ou seja, 62% do valor total da TAM -, não será uma tarefa fácil para a Gol. Até mesmo porque a segunda maior companhia aérea brasileira não pretende aderir ao movimento encabeçado pelo empresário
Eike Batista - que realiza spin off (criar subsidiárias) para captar recursos na Bolsa com o propósito de investir em expansão. "Consideramos a prática muito incipiente para o programa de milhagens", afirma Barbosa. Segundo o diretor de marketing da Gol, a proposta do Smiles é digerir o programa herdado pela Varig e continuar o seu processo de revitalização. Até o fim deste ano, a companhia pretende atingir a marca de 9,1 milhões de clientes, 33,8% a mais do que a base atual composta por 6,8 milhões de pessoas.

Nesse plano de crescimento orgânico também está incluída a estratégia de permitir que os clientes troquem as milhas acumuladas não só por bilhetes aéreos mas também por descontos em diárias de hotéis, aluguéis de carro, conta do restaurante, entre outros. A inspiração de atrelar o Smiles à cadeia de viagens vem do programa canadense
Air Miles, que está ligado diretamente ao varejo e à indústria de turismo. "Estimamos que o Brasil tenha 14 milhões de pessoas que usam aviação civil. Exploramos apenas metade disso. Sem dúvidas, há um grande potencial de crescimento nesse segmento. Principalmente, na classe C", diz Leonardo Pereira, vice-presidente de Finanças, Relações com Investidores, Planejamento e TI da Gol. Agora só resta saber se a companhia aérea vai resistir às investidas da Multiplus, cujas ações se valorizaram 15% em menos de um mês

UFRJ apresenta primeiro simulador de voos com tecnologia nacional

Um simulador de voo com tecnologia e componentes totalmente nacionais foi apresentado na quarta-feira (14) na incubadora de empresas da Coordenação de Programas de Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ). De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), esse é o primeiro simulador fabricado no Brasil com capacidade para receber a qualificação em nível 5. Atualmente, só existem simuladores nacionais até o nível 3.

O simulador é específico para o avião Let 410, um modelo bimotor turbo-hélice fabricado na República Tcheca pela Aircraft Insdutries, que, no Brasil é representada pela Team Transportes Aéreos. O modelo do equipamento apresentado nesta quarta-feira simula situações de emergência, como pane no avião ou pouso sem visibilidade. O novo simulador foi desenvolvido pela Virtually, uma das empresas residentes na incubadora, em parceria com o Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (LAMCE/Coppe).

“O custo para o treinamento inicial de um piloto vai ser reduzido em cerca 30%”, destacou o presidente da Team, Mário Moreira. “Eu acho que todos nós, brasileiros, devemos nos orgulhar desse trabalho”, acrescentou. Segundo a Anac, o novo simulador permite a certificação apenas para pilotar o Let 410. Hoje, no Brasil, existem 12 aviões deste tipo, três deles pertencem a Team. A previsão é de que, até fevereiro de 2011, mais três aeronaves sejam compradas por companhias brasileiras.

Promessa de preço baixo no ar

Que tal voar entre médias e grandes cidades da região pagando até 40% menos? Essa é a proposta da Noar S/A, primeira empresa área regional do Nordeste com sede no estado. A ideia é fazer voos diários regulares entre as capitais, como Recife, Maceió, Salvador, Natal e Fortaleza, e municípios como Petrolina, Caruaru e Mossoró. A empresa aguarda apenas a autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a aprovação das rotas para começar a voar, o que deve acontecer num prazo de até 60 dias.De início, a Noar colocará à disposição dos passageiros, principalmente executivos e turistas, dois aviões turbohélice LET L-410, de fabricação tcheca. Cada um tem capacidade para transportar 19 passageiros. Em 2011 (até fevereiro ou março) serão mais duas aeronaves, com perspectiva de haver uma nova ampliação da frota no futuro. O terceiro avião, pelo menos, já tem destino certo: os estados do Ceará, Piauí e Maranhão, com foco no turismo.

"Nosso objetivo é complementar a malha aérea do Nordeste. O projeto não se esgota em quatro aeronaves, pois temos estudos que mostram que o potencial desse mercado é grande", afirma o presidente Vicente Jorge. Segundo ele, as passagens serão mais baratas porque o custo da hora-voo do L-410 é baixo nos casos em que as distâncias não ultrapassam os 500 quilômetros.

O empreendimento está recebendo um investimento inicial entre R$ 30 milhões e R$ 35 milhões, gerando entre 250 e 300 empregos em todas as praças em que irá atuar. Vicente conta que a loja e o balcão de check in do Aeroporto Internacional dos Guararapes/Gilbero Freyre está quase pronta e já foi inspecionada pela Anac. "Teremos um departamento comercial para atender especialmente ao mercado corporativo e também venderemos passagens pela internet", conta o empresário.

Ontem pela manhã, o governador Eduardo Campos foi conhecer as aeronaves da Noar. Segundo ele, a empresa chega para preencher um antigo déficit do transporte aéreo no Nordeste. "A empresa vai nos ajudar na interligação dos estados. Preencher a malha aérea nordestina é uma tarefa importante para a economia, para o conforto, para o turismo e para nos ajudar a intensificar os negócios aqui", declarou, lembrando que viajar de avião não é mais privilégio de uma pequena fatia da população. "Passou a ser um direito de muito mais cidadãos brasileiros, se comparado com 10 anos atrás".

Autorização - A Anac informou, através de sua assessoria de imprensa, que já concedeu a autorização jurídica para a Noar e a concessão do Certificado de Homologação de Empresa Área (Cheta) está em fase final de análise, devendo sair nas próximas semanas. A terceira e última etapa será a autorização de voo regular (Hotran - Horário de Transporte), com a aprovação das rotas e horários.

O Brasil possui 58 companhias aéreas operando com voos regulares, de acordo com a Anac. Dessas, 41 são internacionais, 12 regionais (entre elas Air Minas, Passaredo e Pantanal) e cinco nacionais (Webjet, TAM, OceanAir, GOL/Varig e Azul). A Noar vem, portanto, preencheruma lacuna importante no Nordeste.

Azul prevê expansão de até 20% da aviação doméstica

RIO - O mercado de aviação doméstico deve crescer entre 17% e 20% este ano, segundo o presidente da Azul Linhas Aéreas, Pedro Janot. O executivo fez a previsão com base nas estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2010, que apontam um avanço de até 6% ante o ano anterior. Ele lembrou que há uma estreita ligação entre o aumento do PIB e a demanda no setor de aviação.

No ano passado, apesar da crise, o mercado teve taxa de crescimento de 17%, de acordo com o executivo. "Em 2009, foi uma coisa muito desigual; tivemos crescimento zero, por assim dizer, no primeiro semestre; e avanço de 30% no mercado de aviação no segundo semestre. Um resultado acabou equilibrando o outro", explicou.

Segundo o executivo, a Azul pretende participar ativamente deste processo de crescimento. "A minha companhia praticamente vai dobrar de tamanho este ano", afirmou. Ele lembrou que a Azul tem previsão de receber sete aeronaves encomendadas da Embraer este ano, e terminar 2010 com uma frota de 21 aviões, como previsto. "Já recebemos uma aeronave, há três semanas. Agora faltam mais seis", informou. O executivo comentou ainda que a empresa atenderá 18 localidades até maio, quando será incluída a capital de Mato Grosso, Cuiabá.

Ele lembrou ainda a recente aquisição de dois slots (horários de pouso e decolagem) no Aeroporto de Congonhas (SP) para fim de semana. "Isso é limitado, mas é muito importante, pois a Justiça brasileira entendeu que os slots são de propriedade do governo federal, gerenciados pela Anac", afirmou. A Azul deve começar a voar em Congonhas a partir de abril. Atualmente o aeroporto "hub" de operações da Azul é o de Viracopos, em Campinas (SP).

Ocupação

A Azul deve fechar março com uma ocupação em torno de 86%, segundo Janot. "É o nosso padrão, esse patamar. Tivemos ocupação de 90% em janeiro e de 86% em fevereiro", disse.

Ele destacou que, atualmente o mercado doméstico encontra-se muito aquecido para o setor de aviação. Em sua palestra durante workshop oferecido pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), hoje, o executivo comentou que nos próximos meses ocorrerão "grandes movimentos na aviação". Isso porque Janot espera um aumento na demanda de passageiros originados da classe C. "Creio que voar de avião é a última fronteira para essa classe média, e as empresas sabem disso", afirmou, não descartando uma onda de promoções e facilidades para pagamento nos próximos meses a serem oferecidas pelas companhias aéreas, na tentativa de atrair este tipo de cliente.

No mesmo evento, o executivo reiterou a proposta de fazer a oferta pública de ações da Azul em 2011. Janot afirmou ainda que a empresa está bem capitalizada, e não pensa em operações como de debêntures ou commercial papers para captar dinheiro no mercado.